O Marista Escola Social Irmão Lourenço realiza o projeto desde 2022 com ações de combate ao racismo e valorização da cultura negra
Localizada na Vila Progresso, Zona Leste de São Paulo, o Marista Escola Social Irmão Lourenço celebra o mês da Consciência Negra reforçando seu compromisso com uma educação antirracista. Desde 2022, a instituição desenvolve o Projeto Embaixadores Antirracistas, iniciativa que nasceu das denúncias e vivências dos próprios estudantes e hoje se consolida como referência na promoção da igualdade racial no ambiente escolar.
Inspirado no Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro, o projeto incentiva os estudantes a se informarem sobre o racismo, enxergarem a negritude, reconhecerem os privilégios da branquitude e perceberem o racismo internalizado. Também os estimula a apoiar políticas educacionais afirmativas, transformar seus ambientes, ler autores negros, questionar a cultura consumida, conhecer seus desejos e afetos e combater a violência racial, assumindo o compromisso de serem todos antirracistas.
No ambiente escolar, os reflexos do racismo aparecem de diferentes formas, como impactos na saúde mental, na afetividade e autoestima dos estudantes, além de episódios de agressividade e manifestações de racismo religioso. Para enfrentar esses desafios, o Projeto Embaixadores Antirracistas foi criado em 2022, a partir das denúncias e vivências dos próprios alunos.
O processo de inscrição exige que os candidatos estejam regularmente matriculados, tenham bom desempenho escolar, perfil de liderança, iniciativa e engajamento em pautas relacionadas ao combate ao racismo e à promoção da igualdade racial.
A diretora da escola e uma das líderes do projeto, Andreia Castro, fala sobre a importância do tema dentro do ambiente escolar, para que os jovens se tornem verdadeiros embaixadores antirracistas na sociedade. “A estratégia atual é potencializar ações afirmativas, mostrar casos de sucesso e valorizar a história e a cultura negra, ampliando o alcance do projeto para além dos muros escolares”, afirma.
Os impactos esperados com a iniciativa incluem a melhoria do desempenho escolar, a redução de conflitos, o fortalecimento do empoderamento e do protagonismo juvenil, além do incentivo à auto declaração racial e da inspiração para outros jovens.
Entre as conquistas já alcançadas estão o desenvolvimento de projetos de vida, o ingresso de estudantes no mercado de trabalho e em universidades, a valorização pessoal e a melhoria da autoestima, bem como a participação em outros espaços sociais e culturais.
A necessidade de uma educação antirracista se evidencia nos números da realidade brasileira. De acordo com o IBGE, em 2022, pessoas negras representavam 55,5% da população do país. No mesmo ano, o Atlas da Violência revelou que 77% das vítimas de homicídio eram negras.
No campo educacional, a desigualdade também é marcante: a taxa de analfabetismo entre pessoas negras, de 7,3%, é quase o dobro da registrada entre pessoas brancas, que é de 3,6%. Esses dados reforçam a urgência de práticas pedagógicas que combatam o racismo e promovam equidade. A legislação brasileira também respalda essa necessidade, com a Lei 10.639/03 e a Lei 11.645/08, que tornam obrigatórios os conteúdos de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena.
Apesar dos avanços, a escola reconhece que o racismo não foi totalmente extinto. Houve uma redução significativa das práticas discriminatórias, mas ainda é necessário ampliar as ações afirmativas e reforçar que a pauta antirracista não deve se restringir apenas a estudantes e colaboradores negros.

Estudantes d Marista Escola Social Irmão Lourenço



